Especialidades





ORTODONTIA
A Ortodontia é uma das especialidades reconhecidas pela Ordem dos Médicos Dentistas, que tem como objectivos corrigir as posições dos dentes nas arcadas dentárias e direccionar os maxilares para uma relação mais equilibrada. O seu principal objectivo consiste em permitir uma harmonização estética da face e dos dentes e em conseguir uma função adequada das estruturas bucais. A prática desta especialidade requer conhecimentos que pela sua especificidade, obriga a uma formação pós-graduada em Ortodontia, após a licenciatura em Medicina Dentária, num curso de pós-graduação em departamento universitário ou unidade de ensino superior, nacional ou estrangeiro, com a duração mínima de 3 anos a tempo parcial.

DENTISTERIA
É a área da Medicina Dentária que permite substituir a anatomia dentária perdida por cárie, por traumatismos e fracturas dentárias, por alterações de cor ou por malformações dentárias congénitas.
É uma doença que afecta quase 90 por cento da população. É provocada pela acção de determinadas bactérias que podem originar a destruição parcial ou total do dente. A presença dessas bactérias na boca, associada a uma alimentação inadequada e a uma higiene oral deficiente, facilita o aparecimento de cáries. Em situações extremas, a cárie dentária pode originar infecções de extensão variável e que podem ter graves repercussões na saúde geral do indivíduo.
Quando os alimentos que contêm hidratos de carbono, como os doces, bolos, chocolates, gomas, etc., são ingeridos, as bactérias cariogénicas vão decompô-los e originar ácidos que provocam a dissolução do conteúdo mineral dos dentes e consequentemente o aparecimento de lesões de cárie. Esta acção é particularmente mais eficaz quando estes alimentos são ingeridos muito frequentemente fora das refeições ou à noite antes de deitar.
Não. Os dentes são mais susceptíveis à cárie dentária mal erupcionam porque ainda não atingiram a sua maturação completa. Por outro lado, os dentes molares e pré-molares apresentam uma forma mais irregular, com sulcos e fissuras, permitindo que os restos alimentares se alojem mais facilmente e durante um maior período de tempo nesses locais. Estes factores, associados a uma maior dificuldade de escovagem destes dentes, por se localizarem mais atrás, podem facilitar a acumulação de bactérias e restos alimentares e, como tal, o desenvolvimento precoce de lesões de cárie.
O processo de cárie é geralmente lento e o início é marcado pelo aparecimento de uma mancha branca na superfície do esmalte que ao progredir leva à formação de uma pequena cavidade. Através desta, as bactérias rapidamente atingem a dentina que é um tecido menos duro que o esmalte, sendo, por isso, mais facilmente dissolvido pelos ácidos produzidos pelas bactérias. Durante as fases iniciais da doença (cavidades pequenas) não são detectados sintomas significativos. No entanto, em fases mais avançadas (cavidades mais profundas) as queixas podem passar por um desconforto com aumento de sensibilidade e mau hálito, até situações mais complicadas com dor na presença de diferentes tipos de estímulos (quente, frio ou doce), ou mesmo o aparecimento de uma dor espontânea muito intensa. Nestes casos, a cárie atingiu a dentina, originando sintomas cada vez piores à medida que vai ficando mais profunda.
Quando sente a presença de uma cavidade, ou a ausência de uma parte do dente, muito provavelmente terá uma lesão de cárie dentária já avançada. A detecção de cáries numa fase inicial não é fácil e normalmente só consegue ser realizada por médicos dentistas. Se notar alguma alteração de cor, como manchas brancas, amareladas, acastanhadas ou pretas na parte superior dos dentes (sulcos e fissuras), deverá consultar o seu médico dentista. As lesões de cárie entre os dentes podem ser potencialmente detectadas ao passar o fio dentário, uma vez que fica preso ou esgaça na sua presença.
- Efectuar uma higiene oral diária correcta; - Escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia com uma pasta fluoretada após as refeições. A escovagem nocturna é a mais importante e não se deve ingerir mais alimentos após a escovagem; - Passar o fio dentário entre os dentes pelo menos uma vez por dia, idealmente à noite; - Ingerir refeições nutricionalmente balanceadas e limitar ao máximo o “petiscar” entre refeições; - Se não for possível a escovagem após uma refeição principal, pode mascar uma pastilha elástica sem açúcar. No entanto, as pastilhas nunca substituem a escovagem! - Visitar o seu médico dentista regularmente. A utilização de algum suplemento de flúor, bem como a indicação para a realização de selamento de fissuras deve ficar sempre ao critério do médico dentista.
Não. O amálgama dentário é amplamente utilizado para a restauração de dentes posteriores há mais de 100 anos. Apesar da controvérsia relacionada com o potencial tóxico do mercúrio, não foi possível encontrar uma relação directa entre as restaurações de amálgama e o desenvolvimento de doenças sistémicas.
Depende. A substituição de uma restauração em amálgama por um material estético, como as resinas compostas, só é obrigatória caso a restauração apresente problemas (fracturas marginais ou completas ou haja evidência de recidiva de cárie sob a mesma). Quando a restauração está em bom estado, a sua remoção poderá ser efectuada se as necessidades estéticas do paciente assim o exigirem.
A maioria das restaurações antigas em amálgama condiciona a pigmentação dos tecidos duros do dente (dentina e esmalte) deixando-o acinzentado. A sua substituição por uma resina pode melhorar muito o problema estético. Contudo, se a pigmentação for muito profunda poderá ainda persistir alguma coloração que só será eliminada removendo muita estrutura dentária sã, o que não é adequado na maior parte das situações.
As restaurações em amálgama ou em ouro podem apresentar uma longevidade de 10 a 20 anos. As resinas compostas são mais sensíveis e, apresentam geralmente uma menor durabilidade. Todavia, os estudos clínicos actuais demonstram excelentes resultados a médio, longo prazo, com uma durabilidade máxima de cerca de 8 anos.
Deve fazer-se um controlo diário rigoroso da higiene oral. A visita regular ao seu médico dentista permitirá uma reavaliação clínica do estado das suas restaurações. As tensões a que as restaurações estão continuamente a ser submetidas devido às forças da mastigação podem provocar desgaste, fissuras e fracturas. Quando a restauração fica comprometida, será sempre necessário efectuar a reparação ou substituição completa da mesma.
A cor superficial das restaurações em resina composta pode alterar-se com o tempo pela incorporação de alguns pigmentos em poros microscópicos existentes na resina. Alguns alimentos e bebidas contêm pigmentos artificiais que facilitam e aceleram aquele processo, nomeadamente o café, o chá, as colas, etc., bem como o tabaco. Por este motivo e, particularmente, na presença de restaurações no sector anterior deve evitar-se o consumo daqueles produtos, principalmente nas horas imediatamente a seguir à realização das restaurações.
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A dentisteria restauradora estética é uma área que tem sofrido uma evolução notável nos últimos anos. Através da utilização de materiais de compósitos, com cores mais semelhantes aos dos dentes naturais, são feitas reconstruções dentárias atingindo-se excelentes resultados estéticos. Esta técnica é sobretudo aplicada em dentes anteriores, no tratamento de fracturas, na substituição de restaurações antigas e/ou pigmentadas, no encerramento de espaços entre os dentes ou simplesmente como forma de harmonizar o seu sorriso. Em determinados casos, são feitas simulações prétratamento a fim de ajustar o resultado final às expectativas do paciente.
O escurecimento dentário influencia a aparência do sorriso. Através dos sistemas de branqueamento dentário, a cor amarela dos seus dentes pode ser atenuada. A técnica de branqueamento varia de acordo com o tipo de dentes a aplicar: • Dentes vitais - branqueamento externo, no domicilio, com gel de branqueamento colocado em moldeiras individualizadas. Controlado semanalmente pelo médico dentista. • Dentes não vitais (desvitalizados) - branqueamento interno, no consultório. São necessárias várias sessões de aplicação do produto branqueador de acordo com a cor inicial do dente. O branqueamento dentário, através de um processo de libertação de oxigénio, remove todas as pigmentações internas e externas do esmalte e da camada dentária subjacente, a dentina, tornando assim os seus dentes mais brancos. Os géis branqueadores, por terem um pH equilibrado, não provocam mudanças na estrutura dos dentes, não afectam o estado das restaurações dentárias pré-existentes e não apresentam outros tipos de riscos ou efeitos secundários. Para o branqueamento ser realizado é necessária uma avaliação clínica para assegurar o bom estado de saúde oral (gengivas e dentes), podendo assim iniciar o tratamento e garantir excelentes resultados.
ODONTOPEDIATRIA
O acompanhamento especializado desde os primeiros anos é a chave para uma dentição saudável, com uma estética e função adequadas.

A Odontopediatria é a área da Medicina Dentária que estuda e promove a saúde oral infantil e tem como principal objectivo a manutenção de uma dentição saudável até que os pequenos pacientes cheguem à idade adulta.

As crianças não podem ser consideradas adultos pequenos, necessitando de uma abordagem específica e adequada a cada etapa do seu desenvolvimento. A consulta de Odontopediatria adequa-se à maturidade e às necessidades próprias de cada criança, com a execução de tratamentos tecnicamente diferenciados num ambiente e relação de afecto e confiança.
CIRURGIA ORAL
Uma das áreas mais abrangentes da Medicina Dentária é a Cirurgia Oral. Esta especialidade médica é responsável por todos os actos cirúrgicos relacionados com as extracções de dentes que apresentem impossibilidade de manutenção na cavidade oral, nomeadamente dentes com cáries muito extensas e não restauráveis, dentes sem suporte ósseo, dentes inclusos, entre outros. É também responsabilidade da Cirurgia Oral, o diagnóstico de lesões da região da cabeça e do pescoço, como sejam os quistos ou tumores, que tenham envolvimento com as estruturas orais.

Dentes inclusos

Os dentes do siso (últimos molares) são os dentes que mais frequentemente se encontram inclusos nos maxilares, isto é, não erupcionam. Outras vezes, estes dentes encontram-se mal posicionados nas arcadas, devendo igualmente ser extraídos.
Estas peças dentárias poderão originar diversas complicações:
- cáries dentárias nos dentes adjacentes;
- patologias como quistos e tumores;
- parestesias (alterações da sensibilidade);
- pericoronarites (inflamação das mucosas);
- apinhamento dentário (mal posicionamento dos dentes).
ENDODONTIA
Em situações em que o dente se encontra muito destruído pela cárie dentária, por fracturas, por traumatismos ou pelo desgaste acentuado e em que há comprometimento da polpa (tecido que contém o nervo e vasos sanguíneos do dente), é necessário desvitalizá-lo, para que possa ser mantido na cavidade oral. A desvitalização consiste na remoção da polpa e no preenchimento do(s) canal(ais) radicular(es) com um material estanque que permita a manutenção de um ambiente hermético. Este tipo de tratamento frequentemente necessita de mais do que uma consulta para que possa ser terminado, devido à necessidade de colocação de medicamentos específicos no interior do(s) canal(ais).
PERIDONTOLOGIA
A doença periodontal consiste numa das principais causas para a perda dentária em adultos. Este tipo de doença tem etiologia infecciosa e afecta a gengiva e o osso que suportam o dente. No início as bactérias causam apenas inflamação da gengiva o que se designa de gengivite. Se esta situação não for resolvida as bactérias podem também atingir o osso e, nessa altura, causar uma periodontite. A Periodontologia é a área da Medicina Dentária que trata este tipo de problemas. Para isso, após o diagnóstico, podem ser necessárias várias consultas para se efectuarem procedimentos de destartarização e de alisamento das raízes dos dentes, de forma a remover todas as bactérias que se encontram na sua superfície. Os pacientes que têm, ou que já tiveram este tipo de doença, são susceptíveis de voltar a apresentá-la, por isso é fundamental a realização de consultas de controlo periódicas.
PROTESE DENTÁRIA
Esta área da Medicina Dentária representa uma das mais valorizadas pelos pacientes uma vez que permite restabelecer os dentes perdidos e, consequentemente, a estética e a função.
São muitas as possibilidades de tratamento que a Prótese pode oferecer: soluções fixas ou removíveis, sobre implantes ou sobre dentes, totais ou parciais. Sem dúvida que as próteses fixas são a melhor solução de tratamento para recuperar dentes perdidos, pois permitem uma estética e função excelentes, como aumentam a segurança e a auto-estima características de dentes naturais saudáveis. As soluções de reabilitação com próteses removíveis representam soluções mais económicas e podem, em certos casos, permitir um conforto e qualidade de vida satisfatórios.
OCLUSÃO
A oclusão dentária não é mais que a forma como os seus dentes se relacionam entre si. Para se obter uma oclusão ideal é necessário que se estabeleça uma correcta relação entre os maxilares e ainda um posicionamento dentário que permita a manutenção de todas as funções orais - mastigação, fonação, deglutição e estética. A má-oclusão dentária pode levar à alteração de uma ou todas estas funções, bem como em alguns casos, à disfunção temporomandibular. Na Disfunção temporomandibular ocorre um funcionamento anormal da musculatura da mastigação, da articulação temporomandibular (ATM), estruturas associadas ou ambas na região buco-facial ou cervical. Pode provocar dores de cabeça ou pescoço, ruídos articulares (estalidos), zumbidos ou plenitude no ouvido, travamento ao abrir ou fechar a boca, limitação de abertura bucal, desgaste nos dentes e dificuldades na mastigação. Pode modificar características psicossomáticas do indivíduo reduzindo a sua qualidade de vida.
No âmbito das patologias relacionadas com a Oclusão destaca-se o Bruxismo.

É um hábito parafuncional, inconsciente e sem objectivo fisiológico para o sistema mastigatório. Existem dois tipos de bruxismo: diurno e nocturno. O diurno está associado a hábitos repetitivos como roer as unhas, lápis, mascar pastilha elástica, ranger os dentes, má postura, e todos os outros fenómenos que ocorrem quando o indivíduo se encontra acordado. O bruxismo nocturno trata-se de um distúrbio do sono em que se verifica não só o ranger dos dentes como também microdespertares, aumentos da frequência respiratória, cardíaca e movimentos corporais.

Os estudos indicam que cerca de 15 a 90% da população já teve episódios de bruxismo. Trata-se de uma patologia muito associada ao stress, pelo que uma grande parte da população é afectada, no entanto, apenas 5 a 20% têm consciência da parafunção. Acontece só em adultos ou também nas crianças? Quando somos crianças rangemos os dentes dentro de padrões que vão ser essenciais à sua normal exfoliação e também para o seu posicionamento nos maxilares. Assim, nesta situação é normal que aconteça, não devendo os pais se preocupar com o ruído, especialmente durante a noite. Quando se trata de adultos deverá ser visto como uma patologia, para que se possa actuar o quanto antes.

Em regra o bruxismo é diagnosticado numa fase tardia, já que é um hábito inconsciente. Normalmente o próprio paciente apercebe-se que os seus dentes estão a ficar mais curtos (devido ao desgaste), ou alguém constata o range dos dentes. O Médico Dentista tem uma papel fundamental já que pode verificar a existência de bruxismo através de facetas de desgaste, sintomas como a tensão muscular ou dores de cabeça do tipo enxaqueca, resultantes da tensão existente.

Durante muitos anos pensou-se que seria apenas um problema resultante de uma desarmonia dentária, onde a natureza tentaria obter um equilíbrio oclusal. Estudos mais recentes apontam para um problema de causa central, ou seja, do Sistema Nervoso Central onde a componente do stress e ansiedade têm um papel preponderante, descarregando todo o seu potencial de força nos músculos da mastigação. Há ainda a salientar que o sedentarismo da sociedade actual contribui para esta situação de stress, bem como hábitos de ingestão de cafeína e álcool. Os rangidos não se verificam em contínuo, sendo que o ranger dos dentes apresenta um carácter ondulante, com picos de rangidos e fases mais silenciosas.

Não. Na idade adulta podemos ter dois tipos de movimentos - tipo excêntrico e tipo cêntrico (clentching). No primeiro a componente de ranger é horizontal, verificando-se gradualmente facetas de desgaste. No segundo há um apertamento vertical, associado a tensão estática muscular, verificando-se não tanto nos dentes anteriores, mas essencialmente nos dentes posteriores que começam a exibir desgastes exagerados para a normal função de mastigação. É frequente em qualquer um dos casos verificar-se a hipertrofia dos músculos, devido à sua actividade permanente.

Há que tornar o bruxismo diurno um problema consciente, pois através de chamadas de atenção é possível educar o cérebro com uma série de manobras que proporcionam o afastamento dentário evitando o seu desgaste. Além disso, é necessário perceber que é um tratamento multidisciplinar onde o desporto, a postura, terapias de relaxamento e os bons hábitos de vida são fundamentais, já que a componente do stress é uma das chaves desta patologia. Durante muitos anos pensou-se que seria apenas um problema dentário e como tal o tratamento, historicamente, era realizado visando o equilíbrio oclusal. Actualmente a confecção de aparelhos de protecção podem evitar o desgaste do esmalte, o que contribui para a longevidade dos dentes. É também importante a educação dos músculos da mastigação, para que não exerçam estes movimentos não funcionais, e evitar a ingestão de cafeína e álcool que por norma exaltam as personalidades mais ansiosas.

São placas de acrílico, onde se dá ao paciente uma relação inter-maxilar ideal através de um ajuste personalizado do aparelho, cujo principal objectivo é evitar o contacto entre os dentes, permitindo que contactem com acrílico. Sendo o acrílico mais macio que o esmalte, o desgaste acaba por ser no primeiro, protegendo assim os dentes do paciente. Estes aparelhos usam-se durante a noite e ao fim de uma semana começa a ser visível o desgaste do aparelho, tendo o paciente consciência de que realmente aperta ou range os dentes!

Não existe uma prevenção propriamente dita, já que não existem testes para predisposição ao bruxismo. No entanto, o desporto, a boa postura, terapias de relaxamento e os bons hábitos de vida são fundamentais, já que a componente do stress é uma das chaves desta patologia. Tratando-se de uma patologia multi-factorial todos os pormenores deverão ser tidos em conta.

Nestas situações torna-se necessário reabilitar os dentes desgastados, recorrendo a prótese fixa ou mesmo restaurações directas. O objectivo será o de restabelecer a estrutura dentária perdida com o desgaste, e desta forma o equilíbrio, a função e estética.
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MEDICINA ORAL
A Medicina Oral é a área da Medicina Dentária que se ocupa da prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias dos tecidos moles (gengivas e mucosas) e duros (dentes e ossos) da cavidade oral. Quando uma lesão suspeita é observada, a biopsia da mesma poderá ser aconselhada, permitindo a obtenção de um diagnóstico histológico concreto e aferir o seu eventual carácter maligno.

As doenças das glândulas salivares, os quistos e tumores da região maxilofacial, ou lesões mais simples como as aftas ou herpes, devem merecer especial atenção por parte do Médico Dentista.

O cancro oral

O cancro é a segunda causa de morte em Portugal, logo após as doenças cardiovasculares. O cancro oral é o conjunto de tumores malignos que afectam qualquer tecido da cavidade oral (dos lábios à faringe, incluindo as amígdalas). A sua localização mais comum é no pavimento da boca e na língua. A incidência do cancro oral é superior ao cancro do colo do útero ou da laringe, sendo o sexto mais frequente em todo o mundo. É mais frequente nos homens, acima dos 45 anos de idade, aumentando consideravelmente até aos 65 anos.

Os carcinomas da cavidade oral podem manifestar-se como uma mancha, geralmente branca ou avermelhada, uma massa endurecida ou uma úlcera persistente que não cicatriza. A maior parte das lesões são assintomáticas na sua fase inicial, tornando-se progressivamente dolorosas. A dificuldade em deglutir, as alterações de sensibilidade e os gânglios linfáticos aumentados podem encontrar-se presentes.

O Médico Dentista, pelo contacto regular com os seus doentes, encontra-se numa posição privilegiada para contribuir para a prevenção e diagnóstico precoce do cancro oral. Numa consulta de rastreio, procede-se ao exame visual e palpação de todas as estruturas orais e anexas à cavidade oral. Podem ainda ser solicitadas radiografias e outros exames complementares de diagnóstico. Quando uma lesão suspeita é observada, a biopsia da mesma poderá ser aconselhada, permitindo a obtenção de um diagnóstico histológico concreto.

A prevenção do cancro oral assenta, fundamentalmente, na adopção de um estilo de vida saudável, com a eliminação dos factores de risco, designadamente os hábitos tabágicos e alcoólicos. Por outro lado, devem ser realizadas visitas regulares ao Médico Dentista que permitam um diagnóstico precoce de lesões potencialmente malignas. Note-se que, quando diagnosticado precocemente, a percentagem de sobrevivência ao fim de 5 anos pode atingir os 90%. Contudo, nos estadios mais avançados, as taxas de mortalidade ultrapassam os 60%.
IMPLANTOLOGIA
A Implantologia é uma área cirúrgica da Medicina Dentária que se dedica à colocação de implantes dentários. Os implantes dentários são estruturas em titânio puro, colocados na maxila ou na mandíbula, que substituem as raízes de dentes perdidos. São uma solução segura e permanente para a substituição de um ou mais dentes, funcionando como pilares de suporte para coroas unitárias e pontes fixas ou removíveis, parciais ou totais. Com a utilização de implantes dentários o doente deixa de ter de optar por soluções tão desconfortáveis e inestéticas como as próteses removíveis suportadas apenas pela mucosa, voltando a sentir o conforto que os dentes naturais oferecem. Outras vantagens dos implantes incluem: - Manutenção da estrutura óssea e estética facial que se perde com a ausência de dentes; - Restituição da capacidade mastigatória e possibilidade de se alimentar sem a preocupação inerente ao facto de não ter dentes naturais; - Manutenção da integridade dos dentes vizinhos, uma vez que não são desgastados tal como acontece para a realização de uma ponte sobre dentes; - Melhoria substancial na confiança e segurança dadas pelos dentes naturais, proporcionando ao paciente uma melhor auto-estima, sem qualquer inibição social.